5.2.10



Esvelta surge! Vem das águas, nua,
Timonando uma concha alvinitente!
Os rins flexíveis e o seio fremente...
Morre-me a boca por beijar a tua.

Sem vil pudor! De que há-de ter vergonha?
Eis-me formoso, moço e casto, forte.
Tão branco o peito – para o expor à Morte...
mas que ora – a infame – não se anteponha.

A hidra torpe... Que a estrangulo... Esmago-a
De encontro à rocha onde a cabeça te há-de,
Com os cabelos escorrendo água,

Ir inclinar-se, desmaiar de amor,
Sob o fervor da minha virgindade
E o meu pulso de jovem gladiador.

Camilo Pessanha

I

1. A figura feminina é caracterizada em dois momentos de forma diferente.
1.1. Faz a sua caracterização nesses dois momentos.
1.2. Que consequências se retiram dessa dupla caracterização?

2. Comenta o esquema:


3. A relação entre o eu e o tu é dada em termos de luta.
3.1. Destaca o vocabulário que refere essa luta.
3.2. Que se pode concluir dessa relação?

4. O sujeito poético despreza as convenções de ordem moral.
4.1. Qual a frase que indica esse desprezo?

5. Que elementos simbólicos se encontram neste texto?

6. Qual será o tema do soneto?