4.2.10

Canção da Partida



Ao meu coração um peso de ferro
Eu hei-de da volta do mar.
Ao meu coração um peso de ferro...
Lançá-lo ao mar

Quem vai embarcar, que vai degredado,
as penas do amor não queira levar...
Marujos, erguei o cofre pesado,
Lançai-o ao mar.

E hei-de mercar um fecho de prata.
O meu coração é o cofre selado.
A sete chaves: tem dentro uma carta...
— A última, de antes do teu noivado.

A sete chaves — a carta encantada!
E um lenço bordado... Esse hei-de o levar,
Que é para molhar na água salgada
No dia em que enfim deixar de chorar.


Camilo Pessanha


I

Elabora um comentário sobre o poema de Camilo Pessanha que integre o tratamento dos seguintes tópicos:
- ligação entre o título e a evocação de uma história sentimental;
- paralelismo formal e semântico entre as estrofes;
- ecos da tradição popular na simbologia e nos ritmos;
- diversidade e significados dos modos de representação do mar;
- relação do texto com a poética do Simbolismo.


II

"A cada um de só três poetas, no Portugal dos séculos dezanove e vinte, se pode aplicar o nome de "mestres". São eles Antero de Quental, Cesário Verde e Camilo Pessanha. [...] O primeiro ensinou-nos a pensar em ritmo; descobriu-nos a verdade de que o ser imbecil não é indispensável a um poeta. O segundo ensinou a observar em verso; descobriu-nos a verdade de que o ser cego [...] não é qualidade necessária a quem faz poemas. O terceiro ensinou-nos a sentir veladamente; descobriu-nos a verdade de que para ser poeta não é mister trazer o coração nas mãos, senão que basta trazer nelas a sombra dele."

Fernando Pessoa


Com base em leituras feitas sobre a poesia de Camilo Pessanha, elabora um texto bem articulado de duzentas a trezentas palavras, no qual seja demonstrada a verdade da afirmação de Fernando Pessoa sobre o mesmo poeta.