30.1.10

Na praia lá da Boa Nova



Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei (foi esse o grande mal)
Alto Castelo, o que é a fantasia,
Todo de lápis-lazúli e coral!

Naquelas redondezas, não havia
Quem se gabasse dum domínio igual:
Oh Castelo tão alto! parecia
O território dum Senhor feudal!

Um dia (não sei quando, nem sei donde)
Um vento seco de Deserto e spleen
Deitou por terra, ao pó que tudo esconde,

O meu condado, o meu condado, sim!
Porque eu já fui um poderoso Conde,
Naquela idade em que se é conde assim...

, Porto, 1887



1. O soneto apresenta uma história onírica.
1.1. Reconta-a.
1.2. Indica a acção, o espaço, a personagem e o tempo.

2. Como afirma Roland Cahen, o sonho apresenta quatro etapas.
2.1. Identifica-as neste poema.
2.2. Transcreve os versos que as traduzem.

3. O estado de espírito do sujeito poético é bem evidente. Descreve-o.
3.1. Encontra a causa que o provocou.
3.2. Procura nos outros textos do mesmo autor aqui transcritos elementos que apontam para a fatalidade.

4. Qual o valor dos verbos "Edifiquei" e "deitou" (por terra)?
4.1. Faz o levantamento dos verbos, agrupando-os segundo os tempos em que se encontram.
4.1.1. Comparando-os, tira conclusões.

5. Classifica a rima: um dia/fantasia e donde/esconde.
5.1. Refere a contaminação semântica provocada pela coincidência dos sons.

6. O texto apresenta palavras escritas em maiúsculas. Refere o seu valor.
6.1. Nos dois últimos versos, a mesma palavra está escrita em maiúscula e em minúscula. Porquê?