27.1.10

Lusitânia no Bairro Latino


Georges! Anda ver meu país de Marinheiros
O meu país das Naus, de esquadras e de frotas!
Oh as lanchas dos poveiros
A saírem a barra, entre ondas e gaivotas!
Que estranho é!
Fincam o remo na água, até que o remo torça,
À espera da maré,
Que não tarda hi, avista-se lá fora!
E quando a onda vem, fincando-a a toda a força,
clamam todos à uma: "Agora! Agora! Agora!"
E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar...)
Que vista admirável! Que lindo! Que lindo!
Içam a vela, quando já têm mar:
Dá-lhes o Vento e todas, à porfia,
Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas,
Rosário de velas, que o vento desfia,
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:
Snra Nagonia!
Olha, acolá!
Que linda que vai com seu erro de ortografia...
Quem me dera ir lá!
Senhora da Guarda!
(Ao leme vai o Mestre Zé da Leonor)
Parece uma gaivota: aponta-lhe a
espingarda
O caçador!
Senhora d'ajuda!
_______________________________________________
Ora pro nobis!
Calluda!
Sêmos probes!
Snr dos ramos!
Istrella do mar!
Cá bamos
Parecem Nossa Senhora, a andar.
Snra da Luz!
Parece o Farol...
Maim de Jesus!
É tal qual ela, se lhe dá o Sol!
Snr dos Passos!
Sinhora da Ora!
Águias a voar, pelo mar dentro dos espaços
Parecem ermidas caiadas por fora...
Snr dos Navegantes
Senhor de Matuzinhos!
Os mestres ainda são os mesmos d'antes:
Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,
A mailos quatro filhinhos,
Vascos da Gama, que andam a ensaiar...
(...)

António Nobre,



Após a leitura atenta do poema, responde às questões que se seguem:

1. Neste poema, António Nobre formula um convite.
1.1. Quem é o destinatário desse convite?
1.1.1. O que nos revela o nome desse destinatário?
1.2. Em que consiste esse convite?
1.3. Para convencer o seu destinatário a aceitá-lo, o poeta descreve um evento tipicamente português, que ainda hoje poderá ser presenciado em algumas regiões do nosso país.
1.3.1. Em que cenário ocorre esse evento?
1.3.2. Que personagens se encontram nele?

2. Relê a segunda estrofe do poema, na qual predomina o tipo de frase exclamativo.
2.1. Neste poema, que sentimentos terão originado o uso desse tipo de frases?
2.2. Ao longo do texto, o ponto de exclamação nem sempre termina frases do tipo exclamativo.
2.2.1. Em que situações do texto assume o ponto de exclamação outras funções?

3. Como explicas:
a) a utilização dos parênteses e das reticências no décimo verso da segunda estrofe?
b) o uso do itálico ao longo do texto?
c) a presença de erros ortográficos nas partes grafadas a itálico?

4. O poeta enriqueceu o seu texto com vários recursos expressivos, nomeadamente a metáfora, a comparação ou a personificação.
4.1. Em que momentos do poema são utilizados esses recursos?
4.1.1. Que pretende o poeta veicular através desses recursos?

5.Explica, pelas tuas próprias palavras, o sentido da última estrofe do texto.

6.Partindo deste poema, aponta três características do povo português.