18.1.10

Invocação (C. I, 4-5)

4
E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham enveja às de Hipocrene.

5
Dai-me ũa fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.


Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto I


I


As estrofes 4 e 5 de Os Lusíadas constituem o Invocação, outra parte obrigatória numa epopeia.

1. Relaciona o significado da palavra «invocação» com o intuito desta parte constituinte da epopeia.

2. Ao longo das duas estrofes, que verbo e modo verbal utiliza o poeta para fazer uma invocação?

3. A quem a dirige?

4. Como manifesta o poeta o seu carinho, a sua simpatia pela(s) entidade(s) a quem dirige a Invocação?

5. O poeta pede que lhe seja concedido um estilo igual aos feitos épicos que vai «cantar».
5.1 Estilo «grandíloco», chama-lhe o poeta. O adjectivo com que caracteriza o estilo não existia no vocabulário português do seu tempo, Camões importou o termo directamente do latim grandiloquus). Procura explicar a intenção que preside o esta utilização de latinismos, frequente, aliás, n'Os Lusíadas.

5.2 Que outros características deverá ter o estilo épico, tal como o define o poeta?