17.1.10

Invocação (C. I, 4-5)


4
E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham enveja às de Hipocrene.

5
Dai-me ũa fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.


Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto I


I

1 - Analise as duas estâncias da Invocação, tendo em conta os seguintes aspectos:
1.1 - Razões do apelo.
1.2 - Pedidos formulados.
1.3 - Tom utilizado nesses pedidos (não esqueça que se trata de uma Epopeia).
1.4 - Expressões que caracterizam os géneros épico e lírico.
1.5 - Desejos expressos pelo Poeta.
1.6 - Funções de linguagem predominantes.

2 - Ponha em destaque a semelhança entre a última parte da Invocação e o assunto da Proposição.

3 - Compare o 1 ° verso da Invocação com o 1.° da Dedicatória, tendo em atenção;
3.1 - As personagens evocadas.
3.2 - Os planos estruturais a que pertencem.
3.3 - A linguagem utilizada.