10.12.09

SOLEMNIA VERBA


(palavras solenes)

DISSE ao meu coração: Olha por quantos
Caminhos vãos andamos! Considera
Agora, d’esta altura fria e austera,
Os ermos que regaram nossos prantos...

Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
E noite, onde foi luz de primavera!
Olha a teus pés o mundo e desespera,
Semeador de sombras e quebrantos!

Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do penar tornado crente,

Respondeu: D’esta altura vejo o Amor!
Viver não foi em vão, se é isto a vida,
Nem foi demais o desengano e a dor.


I

1. O poema apresenta um carácter de diálogo.
1.1. Indica os pólos da comunicação.
1.2. Mostra como a comunicação não sai do sujeito poético.

2. Analisa a confissão que o enunciador faz, tendo em conta o espaço e o tempo.

3. O coração foi também companheiro de viagem.
3.1. Como é possível o desdobramento da personalidade?

4. Explica o sentido da expressão: "desta altura fria e austera".

5. O enunciador culpabiliza o coração. De quê?

6. Evidencia como os transportes (encavalgamentos) da 1.a quadra realizam também o sentido da mesma.

7. A decepção é o estado de espírito do poeta nas quadras.
7.1. Agrupa as palavras que o manifestam.
7.2. Explica a expressividade dos recursos de estilo utilizados para salientar esse estado de espírito.

8. Qual é a palavra que, interrompendo a sequência de sentido, inicia o segundo momento do texto?
8.1. Classifica-a morfologicamente e indica o seu sentido.

9. Explica o sentido do verso: "Na escola da tortura repetida".

10. Mostra como o objecto da visão é diferente conforme se trate do acusador e do acusado.

11. O título foi escolhido de acordo com os últimos versos.
11.1. Demonstra esta afirmação.

12. Qual o conceito de vida desenvolvido no final do soneto?
12.1. O que é que dá sentido à vida segundo o coração?
12.2. Estás de acordo com esse sentido? Justifica a tua resposta.