11.12.09

NOX


Noite, vão para ti meus pensamentos,
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia,
E inúteis tantos ásperos tormentos...

Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da trágica enxovia...
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece alguns momentos...

Oh! Antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,

E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!

Antero de Quental



I

Elabore um comentário do excerto que integre o tratamento dos seguintes tópicos:
• Divisão do texto em partes lógicas;
• Relação passado / presente
• Relação Noite /Dia
• Funções da Noite
• Antero nocturno vs Antero Apolíneo
• Recursos estilísticos relevantes.


II

Dos temas seguintes escolha apenas um:

A - «A poesia é a voz da Revolução.»
Antero de Quental, Odes Modernas

Evocando a sua experiência de leitura, comente, num texto expositivo argumentativo bem estruturado de duzentas a trezentas palavras, o excerto transcrito.

B - «com Pedro da Maia assistimos ao enunciar, por parte do narrador, dos factores tradicionalmente evocados sob a vigência do cânone naturalista..»
Carlos Reis, Introdução à leitura d’ Os Maias

Evocando a sua experiência de leitura, refira-se, num texto expositivo argumentativo bem estruturado de duzentas a trezentas palavras, à influência da tese naturalista na intriga secundária de Os Maias.


III

Resuma o excerto a seguir transcrito, constituído por duzentas e quarenta e sete palavras, num texto de setenta e cinco a noventa palavras. Antes de iniciar o seu resumo, leia atentamente as observações apresentadas no final da página.

No caso particular do Orpheu, há [...] duas circunstâncias de curiosa cronologia. O Orpheu de 1915 tornou-se simbólico do lançamento do modernismo em Portugal. Mas, sem falarmos de anteriores manifestações nas artes plásticas e mesmo na literatura, há que ter presente que Mário de Sá-Carneiro publicara importantes obras modernas em 1914. Assim, um espírito moderno, que se vinha processando, apenas encontrou no Orpheu aquele escândalo momentâneo que justifica os «nascimentos» convencionais. A outra circunstância é altamente importante, e modifica radicalmente a maneira como Orpheu tem sido visto. Na verdade, após essa revista e outras igualmente efémeras (ou que não chegavam sequer à informação da grande imprensa e ao público em geral), o Modernismo foi longamente ofus-cado pela continuidade literária anterior que a aventura modernista não tinha abalado. A chegada dos grandes nomes identificados com Orpheu ao público leitor e à crítica não identificada com o Modernismo só se processou nos fins dos anos 30 e nos anos 40: a poesia de Sá-Carneiro só foi reeditada ou primeiro publicada em volume em 1937-39, e a poesia de Fernando Pessoa só começou a aparecer em volume em 1942 (e ainda está em curso a publicação). Com raríssimas excepções, a obra vanguardista de Almada Negreiros só em anos recentíssimos chegou ao grande público em obras completas. É de há pouquíssimos anos a publicação de Tempo de Orpheu, de Alfredo Pedro Guisado. Só há poucos anos se publicou em volume a obra poética do Ângelo de Lima que o Orpheu acolhera.

Jorge de Sena, «O significado histórico do Orpheu – 1915/1975»,
in Colóquio Letras, nº 26, Julho, 1975