31.10.09

Destino

Quem disse à estrela o caminho
Que ela há-de seguir no céu?
A fabricar o seu ninho
Como é que a ave aprendeu?
Quem diz à planta «Florece!»
E ao mudo verme que tece
Sua mortalha de seda
Os fios quem lhos enreda?

Ensinou alguém à abelha
Que no prado anda a zumbir
Se à flor branca ou à vermelha
O seu mel há-de ir pedir?
Que eras tu meu ser, querida,
Teus olhos a minha vida,
Teu amor todo o meu bem...
Ai!, não mo disse ninguém.

Como a abelha corre ao prado,
Como no céu gira a estrela,
Como a todo o ente o seu fado
Por instinto se revela,
Eu no teu seio divino .
Vim cumprir o meu destino...
Vim, que em ti só sei viver,
Só por ti posso morrer.

Almeida Garrett, Folhas Caídas




1. Monólogo lírico em que o Eu se dirige a um Tu, que se pressupõe presente.
1.1. Faça o levantamento das várias interrogações que o Eu apresenta.
1.2. Que pretende o poeta mostrar com as sucessivas interrogações?

2. Releia a última estrofe.
2.1. Relacione o título do poema com o conteúdo da última estrofe.
2.2. Refira o valor expressivo das figuras de estilo utilizadas pelo poeta para evidenciar o sentido da última estrofe.
2.3. A nível de estrutura interna, que relação pode estabelecer entre o sen¬tido desta estrofe e o dos versos anteriores?

3. Comente o carácter dramático/interpelativo que o discurso lírico apresenta.


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