31.10.09

Aquela triste e leda madrugada



Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade
Quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu apartar-se de ũa outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
Que, duns e doutros olhos derivadas,
Se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio,
E dar descanso às almas condenadas.

Luís de Camões



I

1. A primeira estrofe enuncia o propósito do sujeito poético.
1.1. Identifica o vocábulo que exprime esse propósito.
1.1.1. Classifica-o morfologicamente.
1.2. Especifica o desejo expresso pelo sujeito poético.

2. “Ela” inicia as três estrofes seguintes.
2.1. Indica o nome a que se reporta o “ela”.
2.2. Relaciona a repetição do pronome com o propósito enunciado na primeira estrofe.

3. A madrugada é caracterizada, na primeira estrofe, por uma antítese.
3.1. Identifica-a.
3.2. Explica por que razão a madrugada nos é apresentada com este estado de espírito contraditório.

4. Apresenta os recursos estilísticos que ajudam na caracterização da madrugada.

5. A madrugada surge como testemunha de um acontecimento.
5.1. Descreve a cena testemunhada.

6. Faz a análise formal do texto poético.

II

1. Sublinha no texto as conjunções aí presentes.
1.1. Classifica-as.
1.2. Explica o seu valor expressivo.


III

Num texto bem organizado, mostra como Camões, apesar de autor da Renascença, soube aproveitar a tradição do lirismo peninsular. Deves enriquecer a tua resposta com referências a leituras que fizeste da poesia camoniana.