12.10.09

Alegres campos, verdes arvoredos,

Alegres campos, verdes arvoredos,
claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
discorrendo da altura dos rochedos;

Silvestres montes, ásperos penedos,
compostos em concerto desigual,
sabei que, sem licença de meu mal,
já não podeis fazer meus olhos ledos.

E, pois me já não vedes como vistes,
não me alegrem verduras deleitosas,
nem águas que correndo alegres vêm.

Semearei em vós lembranças tristes,
regando-vos com lágrimas saudosas,
e nascerão saudades de meu bem.

Luís de Camões


I

1. Neste soneto o sujeito lírico está presente através de um discurso pessoal.
1.1. Assinala as marcas do eu lírico (pronomes, determinantes, formas verbais)
1.2. Diz qual a categoria gramatical, abundante neste soneto, que confere ao texto um tom valorativo.

2. Através de apóstrofes, o sujeito lírico dirige-se à natureza que o rodeia.
2.1. Salienta as características da paisagem no início do poema.

3. Atenta nos versos que se seguem:
“Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos” (v. 7 e 8)
3.1. Explica a alteração de estado que o sujeito lírico comunica nestes versos.
3.2. Evidencia as razões que estão na origem desta transformação.
3.3. Diz de que forma se vai processar essa transformação.
3.4. Assinala, no último terceto, as formas verbais que evidenciam que a actuação simbólica do sujeito lírico com a Natureza está intimamente ligada com o ciclo da terra / vida.

4. Identifica o sentimento predominante neste soneto, fazendo o levantamento do vocabulário do respectivo campo lexical.

5. O individualismo, o sentimentalismo e o saudosismo são três características muitas vezes apontadas como marcas típicas do povo português.
5.1. Prova, com citações do poema, que estes traços estão aqui presentes.


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