12.9.09

A fermosura desta fresca serra



A fermosura desta fresca serra,
e a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;

o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;

enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos oferece,
me está (se não te vejo) magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando
nas mores alegrias, mor tristeza.

Luís de Camões



I


1. Nas duas quadras são-nos fornecidos por acumulação elementos da Natureza. Explicita-os.
1.1. Refere os processos morfossintácticos através dos quais as qualidades desses elementos são postas em destaque.
1.2. Tendo em conta as respostas anteriores, caracteriza o ambiente retratado.

2. “Enfim, tudo o que a rara Natureza / com tanta variedade nos oferece”
Demonstra que estes versos correspondem à síntese das estrofes anteriores.

3. Pela organização lógica do discurso, poderemos considerar que o poema se divide em duas partes. Delimita cada uma dessas partes.
3.1. Explicita a contradição existente entre a primeira e a segunda parte do poema, referindo o motivo dessa contradição.

4. Refere as marcas da influência petrarquista neste soneto.