30.6.09

Ó mão não de cristal, não mão nevada




ÀS POESIAS QUE SE FIZERAM A UMA
QUEIMADURA DA MÃO DE UMA SENHORA

Ó mão não de cristal, não mão nevada,
Mão de relógio sim, pois que pudeste
Nesta mísera terra em que naceste
Fazer dar tanta infinda badalada.

Que mão de almofariz enxovalhada
Foi tal, como tu foste, ó mão celeste,
Pois foste, quando mais resplandeceste,
Em tantas de papel tão mal louvada.

Nem de Cévola a mão negra e grosseira,
Queimada entre morrões publicamente,
Merecia tão míseras poesias.

Mas louvo-as de subtis em grã maneira,
Pois que para apagar a flama ardente
Se fizeram de indústria assi mo frias.

D. Tomás de Noronha, Fénix Renascida



I

1. D. Tomás de Noronha ficou conhecido como um dos principais poetas satíricos do período barroco. Comprove esta afirmação tendo em conta o poema que acabou de ler.

2. Em que medida é que este poema confirma a opinião geral de que os poetas barrocos se dedicavam a escrever sobre assuntos de pouca importância?

3. D. Tomás de Noronha, ao criticar os poetas seus colegas, não estará a cair no mesmo erro que eles? Justifique a sua resposta.

4. Comente o título do poema e relacione-o com a temática do mesmo.

5. Indique no poema aspectos formais próprios da estética barroca.

6. Faça uma breve apreciação estilística do poema.

7. Proceda à análise da sua estrutura externa.

8. Explique os fenómenos fonéticos presentes nas seguintes palavras: naceste e grã.


II

Num máximo de quinze linhas, fale do Barroco como período estético e literário, relacionando-o com o contexto político-cultural da época em Portugal.