1.6.09

Editorial


Portugal está a ganhar

AS PREVISÕES mais negras antecipavam um país de pernas para o ar, com os aeroportos entupidos e incapazes de responder ao grande fluxo de aviões em certos dias, as fronteiras sem controlo, as polícias impotentes, as ruas bloqueadas de trânsito se não mesmo barricadas, as cidades do Euro em estado de sítio, greves e manifestações oportunistas por todo o lado, a ordem e a segurança convertidas em palavras sem sentido. Um prognóstico de caos. Mas uma semana depois do começo desta operação de grande envergadura e complexidade que é o campeonato europeu de futebol, salta à vista que o país está a responder positivamente ao desafio assumido há cinco anos. E isto deve ser assinalado. Não só porque todos correríamos a criticar e a buscar culpados ou bodes expiatórios, caso houvesse deficiências graves e notórias a registar, mas também por uma questão de justiça.
Justiça para com as pessoas e as instituições que se encontram na primeira linha de responsabilidade e para com todas aquelas que, no terreno, estão a dar o seu melhor para que tudo corra bem.
Tanto em termos de organização, como de capacidade logística e de competência dos meios humanos envolvidos, não há falhas nem erros flagrantes a apontar em nenhuma das muitas áreas que são tocadas pelo Euro-2004, directa ou indirectamente. Isso mesmo tem sido reconhecido pelos «media» internacionais, todos eles bastante alerta e alguns talvez predispostos a sobrevalorizar qualquer incidente mínimo ou sinal de incapacidade e desorganização. À parte umas dezenas de arruaceiros que se instalaram em Albufeira e todas as noites se exibem embriagados, também o comportamento da esmagadora maioria dos adeptos, nacionais e estrangeiros, tem sido correcto e sereno.
É VERDADE que estamos a menos de meio campeonato e muita coisa pode acontecer ainda. Até porque, provavelmente, os jogos de maior risco estão para vir. Mas com os holofotes do mundo apontados ao território nacional e, em especial, às cidades do Euro-2004, era importante que esta semana corresse bem porque a primeira impressão é sempre marcante.
Até agora, o país está, pois, a ganhar o Euro. Trata-se de um campeonato muito particular que nos compromete a todos e envolve directamente dezenas de milhares de profissionais de múltiplos sectores. É independente dos resultados da selecção nacional de futebol. Mas se mesmo esta, afinal, já deu mostras de ambição e exigência bastantes para ultrapassar obstáculos e continuar em prova, não há razão nenhuma para descrer de um bom resultado. Dentro e fora das quatro linhas.

Expresso, 19 Junho de 2004.


I

1. Identifica o tema do texto.

2. «O editorial é um texto onde a direcção de um jornal ou revista expressa publicamente a sua posição sobre algo relevante da actualidade
2.1 Confirma, de forma fundamentada, a veracidade das afirmações destacadas na definição.

3. Mostra que o texto:
a) Desmente as previsões negativas;
b) Interpreta a actualidade;
c) Antecipa o futuro.
3.1 Na interpretação da actualidade, são tecidos vários elogios a pessoas e a instituições portuguesas.
3.1.1 O que justifica os elogios?
3.1.2 Como é que o autor reforça a sua posição?
3.1.3 Refere a situação excepcional apresentada.
3.2 A previsão do futuro é optimista.
3.2.1 Transcreve o argumento apresentado para fundamentar esta previsão.

4. O texto inicia-se com linguagem subjectiva/conotativa.
4.1 Transcreve exemplos.
4.2 Interpreta a sua utilização.


II

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