28.6.09

Do sonho à realidade




Nill nasceu no Brasil.
Tem a pele morena, cabelo encaracolado e uns olhos grandes. Fala com voz doce e quando canta lembra água fresca, brilho de estrelas, caminhos verdes.
No dia em que fez oito anos, pediu à Mãe que lhe desse uma viola, porque o que ele gostava mais do que tudo na vida era de cantar, de dizer palavras bonitas que ele vestia de sons e lhe alegravam o coração.
— O pai está desempregado mas logo que consiga trabalho tu terás o teu violão.
A pensar nisto, pegou na sua velha lata de Coca-cola vazia que enchera de pedras pequeninas e foi para a rua. Aquela lata era o seu violão e o seu pandeiro. Dela tirava a música com que sonhava.
Atravessou a rua, foi para os terrenos baldios e sentou-se numa pedra, sempre chocalhando a lata. Estava triste. Dia de anos não podia, não devia ser igual aos outros mesmo para criança pobre. Era bom que viesse uma fada com varinha de condão e dissesse:
— Toma Nill! Aqui tens uma prenda.
Zangado com a vida, Nill pegou na lata de pedrinhas. Com raiva atirou-a para longe, lá para o meio do mato e ali ficou a pensar.
O sol parecia um desenho de menino em caderno de escola.
Quando se lembrou da sua lata, a raiva já tinha passado e era noite. Então disse, do mais fundo do seu coração:
— Oh! Minha Nossa Senhora! Ajudai-me a encontrá-la!
E, nesse instante, aconteceu uma coisa maravilhosa: do céu surgiu uma luz dourada e azul, acompanhada de um zumbido de abelhas com uma música que nenhum violão já tocara.
Nill esfregou os olhos. Estaria a sonhar? E que, mesmo à sua frente, estava a lata e brilhava como se fosse de ouro ou feita de sol. Aproximou-se e pegou nela. Encostou-a ao coração que batia forte. Depois, a luz começou a subir, ficando ainda um bocado sobre ele, acendendo e apagando. De repente, desapareceu.
Nill correu para casa. Não contou nada. Ninguém acreditaria.
No dia seguinte, o noticiário da televisão informou que, na véspera, passara por ali um disco voador. Agora, todas as noites, Nill sobe ao terraço e olha as estrelas na esperança de ver de novo essa luz. E basta-lhe a pequena lata, que os irmãos do espaço iluminaram, para ser feliz.

Maria Rosa Colaço, O Coração e o Livro


I

1. O texto inicia-se com uma referência ao herói desta narrativa.
1.1. Caracteriza-o, indicando os seguintes elementos:
Nome
Nacionalidade
Idade referida
Língua que fala
Aspecto físico

2. Mas o encanto do rapaz advém-lhe, sobretudo, de características muito especiais que possui.
2.1. Indica-as.

3. Certo dia, ele pediu à mãe uma viola.
3.1. Quando é que isso aconteceu?
3.2. Que reacção teve a mãe do jovem?
3.3. O que significa para ele essa viola?

4. E ali, no meio do mato, Nill ficou a meditar, até que se fez noite.
4.1. De que é que o rapaz se lembrou, de repente ?
4.2. Completa a seguinte afirmação com as três palavras-chave que consideras mais adequadas.
Nessa altura, Nill sentiu...

aflição - amor - arrependimento - espanto - esperança - fé - expectativa - raiva - ternura

4.3. A quem solicitou ele ajuda?
4.4. Terá sido essa entidade quem lhe valeu? Justifica a tua resposta.
4.5. Transcreve do texto as palavras / expressões que referem o modo como aconteceu aquele "milagre".

5. O rapazito nem queria acreditar no que, de repente, lhe estava a acontecer.
5.1. Indica a veracidade (V) ou falsidade (F) das seguintes afirmações.

1. Nill tinha a certeza de que tudo era um sonho. 2. Uma luz dourada incidia na lata de coca-cola. 3. Por isso, o rapaz não conseguia vê-la. 4. Uns extraterrestres tinham ouvido o seu apelo. 5. Mas esses seres não tiveram pena dele. 6. Feito o "milagre", Nill viu-os partir.

6. Tendo recuperado a sua lata, o moço, contentíssimo, regressou a casa.
6.1. Que decisão tomou ele, então?
6.2. Se fosses tu, como terias agido?
6.3. Quando e como percebeu Nill o que se tinha passado?

7. A partir dali, aquela realidade fantástica tornou-se para o jovem uma bela recordação.
7.1. O que passou ele a fazer, a partir dessa noite?
7.2. Que sente Nill, todas as vezes que recorda o que lhe aconteceu?

8. Agora que conheces melhor o Nill, caracteriza-o psicologicamente com base em elementos do
texto.

9. Mas Nill não é a única personagem desta narrativa.
9.1. Identifica a personagem secundária nela presente.
9.2. Indica o tipo de narrador e justifica a tua classificação.


II
1. « Aquela lata era o seu violão …»
1.1. Identifica a subclasse dos determinantes destacados.
aquela :
o :
seu :

2. « Nill esfregou os olhos. Estaria a sonhar? E que, mesmo à sua frente, estava a lata e brilhava como se fosse de ouro ou feita de sol. Aproximou-se e pegou nela. Encostou-a ao coração que batia forte. »
2.1. No texto, acima transcrito, encontram-se três pronomes. Sublinha-os e transcreve-os
conforme a sua subclasse.
____________ : contracção da preposição em + pronome pessoal complemento
____________ : pronome pessoal complemento (referente ao Nill)
____________ : pronome pessoal complemento (referente à lata)


2.2. Reescreve as frases utilizando os pronomes indicados para evitar as repetições.
a) Nill nasceu no Brasil. Nill tem a pele morena. (pronome pessoal sujeito)
b) Nill falou com a mãe e pediu uma coisa à mãe. (pronome pessoal complemento)
c) A mãe deu-lhe uma prenda. Ele não gostou da prenda. (pronome relativo)

4. Identifica a classe e subclasse das palavras destacadas no texto, completando o quadro.

No dia em que fez oito anos, pediu à Mãe que lhe desse uma viola, porque o que ele
gostava mais do que tudo na vida era de cantar, de dizer palavras bonitas que ele vestia de sons e lhe alegravam o coração.

1. dia
2. oito
3. lhe
4. uma
5. ele
6. na
7. cantar
8. palavras
9. bonitas
10. o


a. contracção da preposição em + o artigo definido a
b. adjectivo qualificativo no feminino / singular
c. determinante numeral
d. nome comum no feminino / plural
e. pronome pessoal complemento
f. artigo definido no masculino / singular
g. artigo indefinido
h. nome comum no masculino / singular
i. pronome pessoal sujeito
j. verbo