31.5.09

Portugal em Paris, Manuel Alegre




Solitário
por entre a gente eu vi o meu país.
Era um perfil
de sal
e abril.
Era uni furo país azul e proletário.
Anónimo passava. E era Portugal
que passava por entre a gente e solitário
nas ruas de Paris.

Vi minha pátria derramada
na Gare de Ausrerlitz. Eram cestos
e cestos pelo chão. Pedaços
do meu país.
Restos.
Braços.
Minha pátria sem nada
sem nada
despejada nas ruas de Paris.

E o trigo?
E o mar?
Foi a terra que não te quis
ou alguém que roubou as flores de abril?
Solitário por entre a gente caminhei contigo
os olhos longe como o trigo e o mar.
Éramos cem duzentos mil?
E caminhávamos. Braços e mãos para alugar
meu Portugal nas ruas de Paris.


Manuel Alegre, O Canto e as Armas


I

1. Identifique, justificando com expressões do texto, o assunto do poema.

2. "Solitário /por entre a gente eu vi o meu país.- (w. 1 e 2)
2.1. Identifique o valor semântico de «solitário», tendo em atenção os versos 7 / 8 e 23.
2.2. Distinga a caracterização do Portugal que viu e do que era.

3. Faça a análise morfossintáctica do poema.

4. Aponte os processos estético-estilísticos fundamentais.


II

1. Segue-se um texto que contém várias palavras ou expressões que não apresentam a forma gráfica apropriada. Transcreva-as para a folha de prova e apresente as correspondentes formas correctas.

Recentemente, o Paulo foi convidado a participar num debate sobre o ensino universitário. Interviu várias vezes, para dizer que os estudantes nem sempre saiem das universidades com preparação suticiente para enfrentar as situações de grande competividade do mercado de trabaiho. Segundo ele, à alguns anos atrás as perspectivas eram mais animadoras para quem procura-se um emprego.

(in Prova Especifica de Português, I995)