12.5.09

O dia em que nasci moura e pereça



O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.

A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.

Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!

Luís de Camões


I

1. Identifique o tema e o seu desenvolvimento.

2. O poeta amaldiçoa o dia em que nasceu. Explicite esse drama, identificando:
2.1 O estado de espírito do sujeito lírico.
2.2 Os pedidos formulados.
2.3 A função da Natureza dentro do desespero do poeta.

3. Releia os dois tercetos.
3.1 Indique os aspectos da linguagem e estilo que contribuem para a valorização estética deste poema.
3.2 Classifique morfologicamente as palavras destacadas:
- «0 gente temerosa, nao te espantes,
Que este dia deitou ao mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!»

4. Proceda à análise formal do soneto.
4.1 Indique o esquema rimático.
4.2 Classifique as rimas da segunda quadra:
a) quanto à disposição ou ligação entre os versos;
b) quanto à acentuação;
c) quanto às classes gramaticais das terminações ou frequência de uso;
d) quanto aos elementos vocálicos e consonânticos das terminações.
4.3 Faça a escansão do verso 8.
4.4 CIassifique-o quanto ao número de sílabas métricas e quanto à posição das sílabas tónicas.