19.5.09

Mão Pesada

Mão Pesada

Nos últimos cinco anos morreram nas estradas portuguesas 7703 pessoas. Esta informação foi publicada no DN1 a propósito do Dia Europeu de Homenagem às Vítimas de Acidentes de Viação. A data foi ontem assinalada de várias formas, entre as quais uma simbólica deposição de coroas de flores no Monumento aos Mortos da Grande Guerra, em Lisboa.
Muitos Governos têm prometido impor a paz nas estradas portuguesas, seja com o reforço de diversas acções de fiscalização – como a tolerância zero –, ou com campanhas de sensibilização – algumas delas brilhantes e corajosas, como o spot televisivo em que vítimas de acidentes de viação expõem as dificuldades do dia-a-dia devido a incapacidades físicas resultantes de desastres rodoviários. Tudo isto tem sido insuficiente.
O último ano do quinquénio2 foi o pior nas estradas portuguesas em acidentes mortais: 1549 pessoas perderam a vida. Apesar de todos os alertas, apesar de os automóveis terem condições de segurança cada vez mais reforçadas, o número de mortos aumentou nas estradas nacionais.
As explicações e os diagnósticos sobre a insegurança rodoviária em Portugal estão dadas e feitos há muito tempo. A fiscalização não dispõe dos meios suficientes, os infractores são tratados com excessiva leveza e os chamados “pontos negros” das estradas mantêm-se anos e anos tal como estão, apesar dos constantes alertas de automobilistas e das populações locais. Para que esta situação seja radicalmente alterada, é necessária uma clara vontade política.
Todos os meios são poucos para acabar com a guerra civil nas estradas, onde se assiste com excessiva frequência à falta de respeito pelas regras essenciais. É obrigação de cada um de nós, de cada automobilista, contribuir para que os portugueses se respeitem na estrada. Às autoridades compete prevenir o futuro, com acções de sensibilização logo nos primeiros anos da escola, e cuidar do presente, castigando com mão pesada cada um dos infractores.

Editorial, Diário de Noticias (on-line), 17-11-2003

Notas:
1. DN – Diário de Notícias.
2. quinquénio – período de cinco anos.




I
1. O texto que acabaste de ler é um editorial.
1.1. Indica o facto que está na sua origem.
1.2. Explica, resumidamente, a situação exposta nos parágrafos três a cinco.
1.3. No último parágrafo, o editorialista faz duas propostas.
1.3.1. Identifica-as.
1.3.2. Diz se estás de acordo com elas e porquê.
1.3.3. Faz mais duas propostas que, na tua opinião, poderiam ajudar a minimizar este flagelo das estradas portuguesas.

2. Encontra, no texto, três passagens em que o elevado número de mortes nas estradas portuguesas é tratado como se do resultado de uma guerra se tratasse.

3. Explica o título do texto.


II

1. Justifica o uso de todos os sinais de pontuação, no seguinte parágrafo:
“O último ano do quinquénio foi o pior nas estradas portuguesas em acidentes mortais: 1549 pessoas perderam a vida. Apesar de todos os alertas, apesar de os automóveis terem condições de segurança cada vez mais reforçadas, o número de mortos aumentou nas estradas nacionais.”

2. São vários os processos de enriquecimento do léxico. Identifica os que se verificam nas seguintes palavras:
• assinalada • impor • spot • radicalmente • automóvel

3. “Para que esta situação seja radicalmente alterada, é necessária uma clara vontade política.”
3.1. Divide e classifica as orações desta frase complexa.
3.2. Substitui a locução subordinativa por outra de valor equivalente.


III

1. Uma das estradas por onde tu passas frequentemente é um dos “pontos negros” semelhante
àqueles a que o editorial faz referência.
Elabora uma reclamação, em forma de carta, que vais dirigir ao Governo português.
Não te esqueças que:
– da reclamação devem constar dados precisos acerca de quem reclama, porque reclama e o que reclama.
– A carta de reclamação deve obedecer à seguinte estrutura:
• fórmula de saudação • exposição do assunto • fundamentação da reclamação
• pedido de reparação/solução para o problema • fórmula de despedida