12.5.09

Eu cantarei de amor tão docemente


File:François Boucher 011.jpg

Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.

Luís de Camões


I

Este soneto poderia funcionar como uma introdução à Lírica de Camões.
1. “Eu cantarei...” “Farei...”
1.1. Qual o propósito assim enunciado?

2. Apresenta-se o tem central da lírica – o Amor.
2.1. Identifica os versos em que se esboça uma descrição do amor.
2.2. Refere os recursos estilísticos utilizados.

3. Enuncia-se “também” o objecto desse amor.
3.1. Quem é, e que função desempenha no soneto?
3.2. Caracteriza a relação que estabelece com o sujeito poético.
3.3. Explica de que forma a oposição introduzida pelo “porém” na última estrofe coloca o “objecto do amor” no plano da inatingível perfeição.