2.5.09

Enquanto quis Fortuna que tivesse


Enquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse
Minha escritura a algum juízo isento,
Escureceu-me o engenho co'o tormento,
Para que seus enganos não disesse

Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,

Verdades puras são e não defeitos;
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.

Luís de Camões


I

1. Nesta reflexão sobre a sua obra lírica, o poeta expõe dois momentos, marcados por “enquanto” e “porém”.
1.1. Qual o conteúdo dos versos a que se reporta o primeiro momento?
1.2. Que papel desempenha o Amor no segundo momento? Como o justifica o poeta?

2. A quem se dirige a mensagem poética do soneto?
2.1. Qual o sentido dessa mensagem?


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