26.5.09

Brinquedo



Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel
E um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel,
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.

Miguel Torga, Diário (1941)



I

1. Delimita as partes em que podemos dividir este poema. Justifica.

2. A personagem que entra no sonho do eu poético é um menino pequeno.
2.1. Indica a peça de vestuário referida no texto que é usada por crianças.
2.2.Com base no texto, explica por que razão se chama "estrela" ao seu brinquedo.
2.3. Que outro nome se dá a esse brinquedo?

3. Por que razão terá o menino sorrido antes de cortar o cordel?

4. Acreditar que os sonhos e as ilusões são (ou se podem tornar) realidade é apenas uma caracte-rística das crianças… ou será que também os adultos mantêm essa capacidade?

5. A estrela de papel do menino levava escrito, num dos lados, um pequeno verso escrito por ti. Que dizia esse verso?


II

1. Justifica o uso dos dois pontos no final do primeiro verso do poema, tendo em conta tudo o que é dito a seguir.

2. Indica um sinónimo de:
Ilusão
Realidade
Aparência
Aventura

3. A expressão “semeia uma ilusão” corresponde a uma figura de estilo. Qual?

4. Diz a que classe gramatical pertence a palavra "com".

5. Apresenta o esquema rimático do poema e classifica a rima presente.


III

Imagina o que possa ser a vida deste menino e constrói-lhe uma pequena biografia (entre 45 e 65 palavras), para ser publicada numa enciclopédia.