28.4.09

Busque Amor novas artes, novo engenho



Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.

Luís de Camões


I

1. Demarca as partes constituintes do soneto.

2. Num primeiro momento, o sujeito poético sugere que o “Amor” já pouco “mal” lhe poderá provocar.
2.1. Explica porquê.
2.2. Refere o valor expressivo do verso “andando em bravo mar, perdido o lenho”.

3. Mas o “Amor” tem sempre “novas artes, novo engenho” para provocar “um mal”.
3.1. Explicita como se revela no discurso poético a incapacidade de definir esse “mal”.