22.4.09

Amor é fogo que arde sem se ver

File:Rubens, Peter Paul - Cupid (Eros) Carves the Bow - 1614.jpg


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões


I

1. Numa primeira leitura do poema percebemos que estamos na presença de uma definição, mas em que predomina o elemento afectivo.
Repara na extensão da definição: “amor é...” Até v.11 “lealdade”.
1.1. Que ilações podemos retirar desta desigualdade?

2. Faz o levantamento dos recursos estilísticos que contribuem para que esta definição seja uma definição poética.

3. Explica de que forma as antíteses e a bipartição dos versos estão em consonância com o tema do poema.

4. Evidencia o valor da repetição anafórica.

5. Este soneto pode ser dividido em duas partes lógicas.
5.1. Delimita-as.
5.2. Diz de que consta cada uma delas.
5.3. Salienta o valor do conector que as separa.

6. O segundo terceto é uma interrogação.
6.1. Qual te parece ser a palavra chave deste terceto? Porquê?
6.2. Como explicas o recurso a esta interrogação retórica com que este soneto termina?