12.3.09

Quem ora soubesse



Chiste

Quem ora soubesse
onde o amor nace,
que o semeasse.

Voltas

D'Amor e seus danos
me fiz lavrador;
semeava amor
e colhia enganos.
Não vi, em meus anos,
homem que apanhasse
o que semeasse.

Vi terra florida
de lindos abrolhos:
lindos para os olhos,
duros para a vida.
Mas a rês perdida
que tal erva pace
em forte hora nace.

Com quanto perdi,
trabalhava em vão;
se semeei grão,
grande dor colhi.
Amor nunca vi
que muito durasse,
que não magoasse.

Luís de Camões

I

1. Esclarece o sentido do mote.

2. O Amor dominou as experiências do eu poético que metaforicamente se define, de «lavrador» (v. 2) e de «rês perdida» (v. 12).
2.1 Refere o significado dessas metáforas.

3. Encontra no poema as antíteses correspondentes às afirmações:
a) Paixão profunda / Incorrespondência
b) Beleza exterior / Sofrimento intenso
c) Muita dedicação / Muitos desgostos
d) Paixão ardente / Mágoa profunda

4. Explicita o sentido dos versos 12 a 14, relacionando-os com a autocaracterização que lhes está subjacente.

5. «Não vi, em meus anos» (v. 5), «nunca vi» (v. 19).
5.1 Interpreta a negatividade das expressões sublinhadas, considerando a sua contextualização.

6. Que conclusões se podem tirar acerca do amor e da visão do sujeito poético sobre este sentimento?

7. Analisa formalmente a composição poética.


II

1. «Quem ora soubesse / (...) / que o semeasse» (vs. 1-3)
1.1 Classifica as formas verbais sublinhadas, quanto ao tempo e ao modo.
1.2 Interpreta o seu uso.

2. Classifica a frase «Quem ora soubessse».