20.3.09





Mote seu
De que me serve fugir
de morte, dor e perigo,
se me eu levo comigo?

Voltas
Tenho-me persuadido,
por razão conveniente,
que não posso ser contente,
pois que pude ser nacido.
Anda sempre tão unido
o meu tormento comigo
que eu mesmo sou meu perigo.

E se de mi me livrasse,
nenhum gosto me seria;
que, não sendo eu, não teria
mal que esse bem me tirasse.
Força é logo que assi passe:
ou com desgosto comigo,
ou sem gosto e sem perigo.

Luís de Camões

I

1. Qual a função do mote e das voltas em que o poema se encontra dividido?

2. Interpreta a pergunta presente no mote.

3. Explicita o determinismo / fatalismo expressos na 1.ª volta.

4. Na última estrofe o sujeito poético apresenta, em alternativa, os dois modos de vida que lhe são possíveis.
4.1 Identifica-os.
4.2 Como prefere viver?
4.2.1. Transcreve expressões que fundamentem a resposta anterior.


II

1. Selecciona, do texto, palavras do campo semântico de «sofrimento».

2. O vocábulo «que» está presente ao longo do poema, com diferentes funções.
2.1 Localiza no texto, as situações enunciadas, de A a D.
A. conjunção subordinativa integrante - introduz frase subordinada substantiva completiva.
B. conjunção subordinativa causal - introduz frase subordinada adverbial causal.
C. pronome relativo - introduz frase subordinada adjectiva relativa restritiva com antecedente.
D. conjunção subordinativa consecutiva - introduz frase subordinada adverbial consecutiva.