30.3.09

Alma minha gentil, que te partiste


Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís de Camões


I

1. O assunto do poema é logo indicado no primeiro verso.
1.1. Refira-o.
1.2. Que figura de estilo se liga ao emprego do verbo partir?
1.3. Faça o levantamento, na primeira quadra, das marcas textuais que reenviam para a relação eu/tu.

2. Há, no poema, dois deícticos que dão conta da distância que separa o eu do tu.
2.1. Indique-os.
2.2. A que lugares se referem?

3. Indique o recurso morfossintáctico que reforça a ideia de morte prematura do tu.

4. Atente nos desejos do poeta, expressos na segunda quadra e no segundo terceto.
4.1. Registe-os.
4.2. Que tipo de frase serve a expressão desses desejos?

5. A morte do eu é o remédio para a «mágoa sem remédio» que o atormenta. O que representa aqui a morte?