27.3.09

Ah, minha Dinamene assi deixaste



Ah, minha Dinamene assi deixaste
Quem não deixara nunca de querer-te!
Ah, Ninfa minha, já não posso ver-te,
Tão asinha esta vida desprezaste!

Como já para sempre te apartaste
De quem tão longe estava de perder-te?
Puderam estas ondas defender-te
Que não visses quem tanto magoaste?

Nem falar-te somente a dura Morte
Me deixou, que tão cedo o negro manto
Em teus olhos deitado consentiste!

Ó mar! Ó céu! Ó minha escura sorte!
Qual pena sentirei, que valha tanto,
Que ainda tenho por pouco o viver triste?

Luís de Camões


I

1. Identifique o facto que inspirou o poema.

2. O sentimento de dor do eu poético é visível em todo o texto.
2.1. Relacione o emprego abundante dos advérbios de intensidade com o sofrimento do eu.
2.2. Indique, exemplificando, outros recursos que reenviem para a emoção que o sujeito poético experimenta.
2.3. Que ideia subjaz às questões levantadas na segunda quadra?

3. Interprete o estado de espírito do eu, no segundo terceto.