12.2.09

Que me quereis, perpétuas saudades?

Que me quereis, perpétuas saudades?
Com que esperança inda me enganais?
Que o tempo que se vai não torna mais,
E se torna, não tornam as idades.

Razão é já, ó anos, que vos vades,
Porque estes tão ligeiros que passais,
Nem todos pera um gosto são iguais,
Nem sempre são conformes as vontades.

Aquilo a que já quis é tão mudado,
Que quase é outra cousa, porque os dias
Têm o primeiro gosto já danado.

Esperanças de novas alegrias
Não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,
Que do contentamento são espias.

Luís de Camões


I

1. Explica em que medida o soneto traduz a angústia da passagem do tempo.

2. Como explicas que as saudades do passado acentuem o sofrimento do sujeito poético?

3. «porque estes tão ligeiros que passais»
3.1. Explica o sentido do verso transcrito.
3.2. Que contraste se define entre a realidade presente do poeta e o seu estado de espírito?

4. O último terceto retoma o pensamento dos dois primeiros versos. Comenta esta afirmação.


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