27.2.09

A fermosura desta fresca serra




A fermosura desta fresca serra,
e a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;

o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;

enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos oferece,
me está (se não te vejo) magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando
nas mores alegrias, mor tristeza.

Luís de Camões


I

1. Delimita no soneto as suas partes lógicas.
1.1. Atribui um título/síntese a cada uma das partes.

2. Atenta nas quadras.
2.1. Identifica o processo através do qual o sujeito lírico descreve a paisagem.
2.2. Explica de que forma este processo interfere no ritmo do poema
2.3. Sublinha elementos do poema que evidenciem a harmonia da natureza aí descrita.

3. Atenta no 1º terceto.
3.1. Explicita o valor do conector que o introduz
3.2. Prova que os dois primeiros veros deste terceto recolhem e resumem os elementos acumulados na primeira parte do soneto.
3.3. Até ao verso 10 o soneto desenvolve-se numa perspectiva de exterioridade – a descrição da natureza.
3.3.1. Explica qual foi o elemento introduzido no último verso do primeiro terceto que provoca no sujeito lírico a explosão da sua subjectividade lírica.

4. Na segunda parte do soneto a diminuição do ritmo é evidente.
4.1. Comprova esta afirmação, tendo em conta o recurso à conjugação perifrástica, aos processo de repetição e ao advérbio de modo.
4.2. Explica este processo de contenção do sujeito lírico em função daquilo que é objecto da sua atenção.

5. O último terceto fecha o soneto com chave de ouro, à maneira petrarquista.
5.1. Identifica a razão pela qual o sujeito lírico já não se encontra em sintonia com a harmonia da natureza.