15.2.09

Erros meus, má fortuna, amor ardente

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís de Camões


I

1. No soneto são identificados os três factores determinantes no percurso existencial do poeta.
1.1. Indica-os
1.2. Escolhe o verso que melhor caracteriza a influência desses factores na sua vida.

2. Como são avaliadas as vivências pessoais do Eu poético?
2.1. Regista os verbos mais significativos neste processo de auto-análise
2.1.1. Classifica-os quanto ao modo e ao tempo verbal.
2.2. Interpreta os dois últimos versos, tendo em conta a expressividade da interjeição, da forma verbal e da pontuação.


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