18.2.09

Erros meus, má fortuna, amor ardente




Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís de Camões


I

1. O soneto é uma síntese da vida do poeta.
1.1. «em minha perdição se conjuraram»
Comenta a acusação presente neste verso
1.2. «Errei todo o discurso dos meus anos»
Explica o sentido deste verso.

2. Relaciona as «mal fundadas esperanças» com o trágico destino do poeta.

3. Explica em que medida o soneto pode ser entendido como uma dramática biografia sentimental.

4. Explique o sentido da forma verbal “sobejavam”, no 3º verso da 1ª quadra.

5. “Tudo passei”
“... As cousas que passaram...”
5.1. Encontre um sinónimo para cada uma das formas do verbo “passar”
5.2. Justifique este jogo semântico, na relação passado / presente.

6. Clarifique o sentido dos últimos dois versos.