30.1.09

Uma mulher quase nova...




Uma mulher quase nova
com um vestido quase branco
numa tarde quase clara
com os olhos quase secos

vem e quase estende os dedos
ao sonho quase possível
quase fresca se liberta
do desespero quase morto

quase harmónica
enche o espaço quase alegre
de cabelos quase soltos
transparente quase solta

o riso quase bastante
quase músculo florido
deste instante quase novo
quase vivo quase agora

Mário Dionísio


Quem excederá...

Quem excederá tua bondade
Ao dares-me aquilo que te não pedi,
Um colar de pérolas para a minha vaidade
Como hei-de expressar gratidão por ti?

Por este dom eu fico orgulhosa
E sou, entre todas, a mais leda.
Ó esplêndida alma generosa
Torrente de rio e frágil fio de seda


Maryam Al-Ansãrï

Rajput Beauty

I

Leia, com atenção, os poemas transcritos e desenvolva os seguintes aspectos:
1. A oposição aparência / realidade, nos dois poemas.
2. A importância das categorias morfológicas.
3. Os processos estético-estilísticos principais, não esquecendo o aspecto tónico.
4. Os elementos semântico-simbólicos que remetem para a idade da mulher, no poema de Mário Dionísio.
5. O sentido da afirmação "torrente de rio e frágil fio de seda", no poema de Maryam Al-Ansãrí.


II

Num breve apontamento, não excedendo o limite de 10 linhas, justifique a seguinte afirmação:
A cultura portuguesa e a literatura, que a exprime, receberam as mais diversas influências, mas também deram o seu contributo para o que acontece em muitas outras paragens.


III

Elabore um texto crítico sobre a intervenção comprometida da literatura contemporânea.