26.1.09

Sobre estas duras, cavernosas fragas




Sobre estas duras, cavernosas fragas,
Que o marinho furor vai carcomendo,
Me estão negras paixões n'alma fervendo
Como fervem no pego as crespas vagas;

Razão feroz, o coração me indagas.
De meus erros a sombra esclarecendo,
E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo
De agudas ânsias venenosas chagas.

Cego a meus males, surdo a teu reclamo,
Mil objectos de horror co'a ideia eu corro,
Solto gemidos, lágrimas derramo.

Razão, de que me serve o teu socorro?
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;
Dizes-me que sossegue, eu peno, eu morro.

Bocage


I

Tendo em conta os níveis tónico, morfossintáctico e semântico, redija um comentário global ao soneto transcrito, pondo em destaque os seguintes aspectos:

• Estado de alma do poeta, « A "luta" Razão / Coração.

• Expressividade da linguagem.

• Recursos estético-estilísticos.

• Marcas pré-românticas.