16.1.09

Silka, Ilse Losa

O Visitante da Noite



Numa daquelas casinhas, ali em baixo na praia, vivia Silka com os pais e os dois irmãos. Era uma rapariga tão linda que, pela manhã, quando saía de casa, o céu e o mar se doiravam de satisfação e os vizinhos assomavam à janela para a verem, pois diz-se por estas bandas que “encher, pela manhã, os olhos de beleza é começar o dia com uma festa.”
Os pais tinham grande vaidade na filha. Além de ser bonita, trabalhava com o afinco da formiga e cantava com a doçura do rouxinol. Diziam eles que só um príncipe ou um rapaz famoso da cidade seriam dignos dela e que não consentiriam nunca que ela casasse com um dos pobretões da aldeia. Silka não ligava a tais conversas. Despreocupada, trabalhava, cantava melodias alegres, banhava-se na água do mar e estendia-se ao sol.
Ora, certa tarde de Verão, vinha ela de uma aldeia das proximidades carregando um cesto de fruta, sentiu-se atraída pela frescura do mar. Despiu-se por detrás de um rochedo, saltou para a água e chapinhou alegremente nas ondas que vinham lentas e brandas como uma carícia de amor. Assim se deixou ficar um bom bocado e só quando o sol baixou no horizonte se tornou a vestir e regressou a casa.
Nessa mesma noite, no seu quarto, saltou-lhe da blusa um estranho bicho, meio cobra, meio peixe, dum azul transparente como o das pedras- marinhas. Assustada, correu para a porta, mas nisto ouviu uma voz quente a suplicar-lhe:
- Não fujas, bela Silka. Eu não te quero mal, acredita. Não vês que sou insignificante e indefeso?
Ainda desconfiada, Silka aproximou-se de novo e olhou de soslaio para tão exótica criatura do mar, que então lhe pediu:
- Toca-me, Silka.
-Não, isso não! - exclamou a rapariga.
-Não sou frio nem escorregadio. Não tenhas medo. -voltou aquela voz quente.
Um tanto por piedade, um tanto por curiosidade, ela passou-lhe rapidamente a mão sobre as escamas azuis e, para surpresa sua, sentiu-as cálidas e macias como a pele dum ser humano.
-Pobrezinho - disse - como aconteceu perderes-te na minha blusa?
-Não perdi - confessou ele e ouviu-se-lhe um riso. Estava perto de ti quando te banhaste no mar. Vi-te tão linda, mais linda que o próprio mar, que senti desejo de ficar junto de ti. Saltei para terra e escondi-me na toalha que tinhas deixado com as tuas roupas ao pé do rochedo. Tu própria trouxeste-me contigo.

Ilse Losa, Silka


I

1.Deste texto, indica o autor e a obra.

2.Classifica o narrador desta história. Justifica a tua resposta.

3. Indica as personagens intervenientes na acção.

4.“... vivia Silka com os pais ...”
Constrói uma frase em que uses a palavra homógrafa de “pais”.

5.Localiza a acção no tempo.

6.A acção desta história desenrola-se em dois espaços diferentes. Indica-os e retira do texto as expressões que te permitem chegar a essa conclusão.

7.Baseando-te nas informações dadas pelo narrador, caracteriza física e psicologicamente Silka.

8." ... trabalhava com o afinco da formiga ..."
8.1. Explica o sentido desta expressão.

9.De que forma Silka ocupava o seu tempo?

10.“ ... saltou-lhe da blusa um bicho estranho...”
10.1. Indica o tempo e o modo da forma verbal.
10.2. Reescreve a frase no pretérito mais-que-perfeito.
10.3. Por que razão aquele bicho era estranho?

11. Como reagiu Silka logo que o viu?

12. Nessa mesma noite, no seu quarto, Silka viu um bicho estranho.
12.1. Faz a análise sintáctica da frase.
12.2. Indica a subclasse do verbo da frase.

13. “ -Não fujas, bela Silka. Eu não te quero mal, acredita. Não vês que sou insignificante e indefeso? ”
13.1. Identifica o tipo de frase acima sublinhada.
13.2. Estas frases reproduzem a fala do bicho. Passa-as para o discurso indirecto.

14. Este bicho produziu em Silka sentimentos variados. Ordena-os de 1 a 4 de acordo com a sua sequência
Desconfiança
Medo
Espanto
Pena e curiosidade

15. Identifica os recursos de estilo presentes nas seguintes frases:
1. “... o céu e o mar se doiravam de satisfação...”
2. “...nas ondas que vinham ... como uma carícia de amor...”
3. “... sentiu-as cálidas e macias...”

16. Explica como conseguiu o bicho chegar ao quarto de Silka.

17. Qual a razão que o levou a tomar tal atitude?

18.Do primeiro parágrafo do texto, retira:
um nome próprio
um determinante numeral cardinal
uma preposição simples
um adjectivo

19. Classifica as seguintes palavras quanto ao processo de formação:
pedras- marinhas
despreocupada

20. A história que acabaste de ler é uma narrativa aberta. Vais transformá-la numa narrativa fechada, imaginando o que terá acontecido àquele estranho bicho.