10.1.09

O Mistério do Falcão Azul

Perseguição

À noite, e principalmente aos sábados, a feira era, se possível, ainda mais animada. Parecia um mar de gente.
A Maria David e o Gabriel não perdiam uma oportunidade de se divertir.
Então junto dos carrosséis, a maré galgava o areal pedregoso do recinto, ultrapassava o estreito dique onde muitas mãos trocavam bilhetes coloridos por. notas desbotadas, e ia desaguar sobre estribos, pescoços de girafas esguias, jubas de leões deslavados, bossas de camelos e carrinhos de choque, e aviões e cadeiras estonteadas.
O difícil estava na escolha. Contadas e recontadas as notas, havia que fazer opções.
- Eu vou dar só mais uma voltinha na minha zebra. Anda daí - exclamou a Maria David muito espevitada.
-Querias mais nada?! Eu vou mas é para os carrinhos! - repontou o Gabriel.
-Então vai tu. De carrinhos estou farta!
A confusão era total na pista dos automóveis: não havia regras, sinais, semáforos, stops, nem polícias a apitar. Os carros todos num molho entrechocavam-se radiantes pelos encontros imediatos e muito esperados!
O nº7, pilotado pelo Gabriel, não parava de cumprimentar as traseiros do nº10, tripulado por um rabo-de-cavalo muito sedutor. Mas atravessara-se obliquamente o nº5, interrompendo um diálogo que se esboçava com algum sentido.
- Ó homem, sai-me da frente! Não me atrapalhes a manobra!
O sorriso mau do piloto do nº5 alargou-se, com uma presença cada vez mais irritante.
O nº10 e o seu rabo-de-cavalo iam-se distanciando, e o Gabriel não compreendia aquela teimosia colada ao carro, sempre com toques hábeis e muito inoportunos que o faziam perder o norte e o rumo.
Outra viagem, outra corrida.
A última ficha entrou, numa raiva de se querer aproximar e segredar algumas palavrinhas. Mas o nº10 tinha mudado de dono: agora em vez do rabo-de-cavalo, um bigode farfalhudo.
A perseguição já não tinha graça nenhuma.

Carlos Correia, Maria Alberta Menéres, Natércia Rocha, O Mistério do falcão Azul




I

1. Do texto indica os autores e a obra.

2. Esta história decorre num determinado espaço. Diz que espaço é esse.

3. Localiza também esta narrativa no tempo.

4. Classifica o tipo de narrador do texto. Transcreve uma frase que justifique a tua resposta.

5. «Parecia um mar de gente.» Explica, por palavras tuas, o sentido da expressão.

6. Identifica a personagem principal do texto.

7. «A Maria David e o Gabriel não perdiam uma oportunidade de se divertirem».
7.1. Indica três dos divertimentos que ambos tinham à sua disposição.

8. «O difícil estava na escolha»
8.1. Por que razão era difícil a escolha?
8.2. Que divertimento escolheu cada um dos amigos?
8.3. Se tivesses também que escolher um divertimento, qual seria? Justifica a tua resposta.

9. «A confusão era total na pista dos automóveis.»

10. «O nº7, pilotado pelo Gabriel, não parava de cumprimentar as traseiras do nº10...»
10.1. O Gabriel estava muito animado. Por que razão?

11. «Ó homem, sai-me da frente! Não me atrapalhes a manobra!»
11.1. Identifica o emissor desta frase.
11.2. Por que razão terá ele dito estas frases?
11.3. Estas frases estão no discurso directo. Passa-as para o discurso indirecto.

12. Que obstáculo lhe apareceu?

13. «A perseguição já não tinha graça nenhuma.»
A perseguição deixou de ter graça. Porquê?

14. O narrador desta história recorreu a diferentes recursos expressivos e a diferentes sensações para descrever a feira. Quais?

15. A Maria David deu uma ficha ao Gabriel
1. Faz a análise sintáctica da frase.
2. Reescreve a frase, empregando o verbo no futuro do indicativo.

16. Achas que o título está relacionado com o texto? Justifica a tua resposta.