2.12.08

Noite




A noite vem poisando devagar
Sobre a Terra que inunda de amargura ...
E nem sequer a benção do luar
A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor, que é cheia de tortura ...
E eu oiço a noite imensa soluçar!
E eu oiço soluçar a noite escura!

Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma Saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite!.. Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!

Florbela Espanca, Sonetos




1. Identifique o Tu ao qual o sujeito lírico se dirige e transcreva expressões que comprovem a sua resposta.
2. Como é a noite para o sujeito lírico?
3. Que papel tem a noite para o Eu lírico?
4. Indique o(s) sentimento(s) do Eu lírico.
5. O poema constrói-se a partir da realidade exterior, enviando-nos depois para o mundo interior. Delimite, no poema, essa dualidade exterior/interior.
6. Identifique o tema do poema. Justifique a sua resposta recorrendo a expressões textuais.
7. Retire da segunda estrofe uma anáfora e explique o seu valor expressivo.
8. Apresente o esquema rimático do poema.
8.1. Refira o tipo de rima que encontrou.
9. Divida as sílabas métricas do seguinte verso: A quis tornar divinamente pura.
9.1. Classifique o verso quanto ao número de sílabas.
10. Explique a razão deste poema se designar soneto quanto à forma.