21.11.08

Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga

Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor que a ti sòmente os diga
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel que a delirar me obriga.

E vós, ó cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade
Quero fartar o meu coração de horrores.

Bocage


I

1. Procura explicar o estado de espírito que o sujeito poético manifesta.

2. O que é que está na origem desse estado de espírito?

3. Que significado tem a noite para o sujeito poético?

4. Explica o sentido das expressões seguintes:
a) ”retrato da morte” (1º verso)
b) ”cortesãos da escuridade” (9º verso)

5. Transcreve do texto, explicando-a, uma metáfora.

6. Faz uma divisão do soneto em partes, quanto ao seu sentido.

7. Indica, explicando, as características românticas que encontras neste soneto de Bocage.


II

1. Análise sintáctica:
a) Função de “Ó retrato da morte!” (1º verso)
b) Função de “de meus desgostos” (4º verso)
c) C. Directo de “diga” (5º verso)
d) C. Indirecto de “diga” (5º verso)
e) Sujeito de “manda” (5º verso)