4.11.08

A viagem





Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
10 O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
15 A revolta imensidão
Transforma o dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
20 O que importa é partir, não é chegar.

Miguel Torga, Câmara Ardente




1. Tome como referência os versos entre parênteses (Versos 5 a 11).
Explique por palavras suas a intenção do sujeito lírico.
2. Retire do texto palavras/expressões do campo semântico de mar.
3. No poema mar é uma metáfora para a vida.
3.1.Qual o adjectivo que qualifica o mar na 1ª estrofe?
3.2. Explicite qual a relação que o sujeito lírico procura estabelecer na dualidade Mar/Vida.
3.3. Que figura de estilo se evidencia nessa dualidade Mar/Vida?
4. Comente a expressividade do uso da palavra longe no verso:
Era longe o meu sonho (Verso 3)
5. Transcreva os verbos que traduzem a determinação e obstinação
do sujeito lírico em perseguir o sonho.
6. Explique o sentido do verso 13, tendo em consideração o sentido
conotativo de cais e paz tolhida.
7. Saliente as diversas adversidades que o sujeito lírico menciona ao longo do poema, antes de conseguir partir em busca do seu sonho.
8. Que atitude psicológica nos demonstra o sujeito lírico quando refere:
O que importa é partir, não é chegar
9. Qual o tema deste poema? Explique a sua opção.