7.10.08

O Parvo


I

1. Depois de ter feito entrar em cena Dom Anrique e o Onzeneiro, Gil Vicente faz entrar uma terceira: um Parvo.
1.1. Em teu entender o que é um Parvo?
1.2. Que pretenderia Gil Vicente com a inclusão, neste Auto, dessa personagem?

2. Há um ditado que diz assim: «Ao menino e ao borracho põe-lhe Deus a mão por baixo.»
Talvez se pudesse dizer o mesmo do Parvo. De resto, não é verdade que de «sábio e louco todos temos um pouco»?
2.1. Que irá passar-se afinal? Tendo em conta estes sentimentos populares, crês que também o Parvo acabará por condenar-se ou, pelo contrário, irá entrar na Barca da Glória?
2.2. Que tipo de argumentos prevês venham a ser usados pelo Parvo, pelo Anjo e pelo Diabo?

II

1. Lê o texto, procurando estar atento aos seguintes aspectos:
1.1 Caracterização do Parvo.
1.2 Elementos alegóricos a destacar nesta cena (se é que os há).
1.3 Registos de linguagem utilizados pelo Parvo (procura caracerizar essa linguagem).

2. Na parte final do Auto, o Anjo não convida o Parvo a entrar na barca, mas diz-lhe:

Espera entanto por i; veremos se vem alguém merecedor de tal bem que deva entrar aqui.

2.1. Apesar de reconhecer a "simpreza" do Parvo, o Anjo fá-lo esperar. Pensas haver alguma relação entre esta decisão do Anjo com o conceito cristão de purgatório? Justifica a tua resposta.

3. A inclusão da figura de um parvo no Auto não terá sido um mero acaso. Sabendo o que os latinos diziam da comédia «ridendo castigat mores», isto é, (a rir se castigam os costumes), vejamos...
3.1. Como é que Gil Vicente o consegue neste caso?
3.2. Que «mores», que costumes são aqui censurados?

4. Concordas com o desfecho que o Autor encontrou para o Parvo? Justifica a tua posição.

III

1. A série de insultos, de pragas, de expressões obscenas usadas pelo Parvo funcionam como elemento cómico, com o fim de fazer rir, pelo «descaramento» e «simpreza» de quem as diz.
1.1 Que registo de linguagem te parece essa que caracteriza uma parte significativa da intervenção do Parvo?
1.2. «É carnaval, ninguém leva a mal!» - ouve-se frequentemente. Como explicas que também ao Parvo ninguém tenha levado a mal a sua linguagem?
1.3. Em que termos é que o Anjo o desculpa?