19.10.08

Madrigal a uma crueldade formosa

A minha bela ingrata
Cabelo de ouro tem, fronte de prata,
De bronze o coração, de aço o peito;
São os olhos luzentes
(Por quem choro e suspiro,
Desfeito em cinza, em lágrimas desfeito),
Celestial safira;
Os beiços são rubis, perlas os dentes;
A lustrosa garganta
De mármore polido;
A mão de jaspe, de alabastro a planta.
Que muito, pois, Cupido,
Que tenha tal rigor tanta lindeza,
As feições milagrosas,
Para igualar desdéns aformosuras,
De preciosos metais, pedras preciosas,
E de duros metais, de pedras duras?

Jerónimo Baía


I

Analise o poema desenvolvendo os seguintes aspectos:
• Caracterização da mulher.
• Demonstração do carácter artificial e estereotipado deste retrato feminino.
• Elaboração de um esquema que ponha em confronto os elementos da descrição e o metal ou a pedra preciosa a que são comparados.
• Levantamento das oposições e das repetições.


II

Num breve apontamento, não excedendo o limite de 10 linhas, justifique a seguinte afirmação de Hernâni Cidade:
"Cultismo e conceptismo são duas expressões de um conceito de poesia fundamentalmente idêntico, a mesma atitude fundamental, que toda a reduz a uma actividade puramente lúdica."


III

Com base nos textos estudados, desenvolva as ideias contidas na seguinte afirmação:

"Os elementos da arte barroca são essencialmente os mesmos da arte renascentista. Mas é diferente o modo como o poeta ou o artista deles se servem por ser diferente o sentimento estético que exprimem. (...) O poeta seiscentista sobrecarrega o verso de elementos pictóricos e musicais, por vezes para suprir a escassez temática, ou com intuito meramente decorativo."

A. Correia de A. Oliveira, Prefácio de As Segundas Três Musas