2.10.08

Cena introdutória

I

1. Gil Vicente serviu-se de uma alegoria de barcas para censurar e satirizar os excessos do seu tempo. Que explicação podemos avançar para essa opção?
1.1. Por que razão, para bem compreendermos este primeiro fragmento, necessitamos não apenas de ter alguns conhecimentos de cultura clássica, do cristianismo, mas também da terminologia náutica dos séculos XV e XVI?
1.2. Porquê uma Barca do Paraíso em oposição a uma Barca do Inferno? Que é que, afinal, está aqui em causa?
1.3. Estás convencido de haver assim uma tão directa relação entre bem e recompensa, ou entre mal e castigo? Explica.
2. Que é um arrais?

II

1. Depois de leres o primeiro fragmento do auto, sentes que algumas das perguntas anteriores poderão ter encontrado uma resposta? Em que medida?
2. O Diabo e o Companheiro parecem muito afadigados na preparação da Barca.
2.1. Que tipo de viagem vão eles empreender?
2.2. Que estado de espírito deixa transparecer o Diabo? Serenidade? Impaciência? Justifica a tua resposta.
3. Como explicar que, na Barca do Anjo, não haja o mesmo ambiente de festa, nem quaisquer pre-parativos para a viagem?
4. Parece que ao Diabo está tudo a correr favoravelmente.

Repara nas seguintes expressões:
«...que temos gentil maré!»
»...Põe bandeiras, que é festa.»

4.1. Explica as palavras destacadas.
4.2. Que razões te parecem justificar esat alegria por parte do diabo?
5. Que motivações profundas poderão ter levado Gil Vicente a escrever este Auto (repara que Gil Vicente começa o seu Auto designando-o como um Auto de Moralidade...)


II

1. Neste fragmento, podes detectar algumas interjeições.
1.1. Identifica-as.
1.2. Explica de que modo estas interjeições contribuem para caracterizar a atmosfera que se vive na Barca do Inferno.


Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno (1517)