17.9.08

O Nabo


O avô Eugénio plantou nabos. Plantou muitos nabos. Alguns bem grandes eram. Mas dentre eles um havia que era maior que todos os outros nabos. Era o maior nabo do mundo!
Um nabo tão grande tem de ser comido pela família toda. O avô disse para consigo:
- Arranco este nabo num instante!
Agarrou na rama e puxou. O nabo maior do mundo não deu de si. Ficou agarrado à terra onde nascera. Então o avô chamou:
- Ó mulher, dá-me aqui uma ajuda!
A avó Catarina agarrou o avô e os dois puxaram. O nabo é que não saía da terra.
- Catarininha, vem cá! Vem ajudar-nos a arrancar este grande nabo!
A neta apareceu logo a correr e agarrou-se à avó que estava agarrada ao avô, que por sua vez puxava pelo nabo.
Era um nabo tão grande que em diante passaremos a escrever NABO. Assim: com letras grandes: NABO. Todos puxavam, mas o NABO não saía da terra onde nascera.
- "Laica"- chamou a neta a sua cachorrinha.
E a "Laica" agarrou-se à rapariga, que estava agarrada à avó, que puxava pelo avô que tentava arrancar o NABO. Mas o NABO nem sim nem sopas. Calado, deixava-se lá estar metido na terra.
- "Joanico"! "Joanico"! - gritou a cachorra.
O gato assomou à porta de casa, desconfiado. Viu todos eles a puxarem-se uns aos outros para tentarem tirar da terra o maior NABO do mundo.
- Vai uma ajuda?
E "Joanico" foi agarrar-se à "Laica" que segurava a neta Catarininha, que puxava pela avó Catarina, por sua vez a unir os seus esforços com o avô Eug´nio para que o NABO saísse do nabal para o almoço de muitos dias. E nada. Nada.
- Precisam de mim?
Quem assim perguntou foi o rato da csas magrito, que acabara de comer umas casquinhas de queijo. O gato olhou-o guloso. A cachorra disse para consigo que tão enfezado animal ali não serviria para nada. A neta e a avó iam a gritar de susto, quando o avô disse:
- Sabemos lá se nos falta só mais um pedacinho de força para resolver este problema! Ó rato, puxa lá pelo "Joanico"!
E o rato puxou.
E o NABO saiu da terra onde nascera. Havia que comer para todos e para muito tempo. Uma semana ou duas, seguramente. E isso se comessem todos os dias sopa de nabo!
A união faz a força, meus amigos! Aprendam a lição que o avô Eugénio deu à avó e à neta, à cachorra e ao gato. Daí em diante nunca mais a "Laica" correu atrás de "Joanico", nem este perseguiu o ratinho, que acabou até por engordar.

Viale Moutinho, Manhas do Gato Pardo




1. Completa as frases seguintes:
1.1. O autor deste texto narrativo é ______________
1.2. O narrador indica-nos as características deste nabo. "Era ________________________
1.3. Para além do avô, as outras personagens são _________________________________

2. Diz em que local decorre a acção desta história.

3. "O nabo maior do mundo não deu de si."
Caracteriza a atitude do avô Eugénio, perante o problema que lhe surgiu, assinalando as duas respostas certas.
O avô revelou - paciência - aborrecimento - desespero - consideração pelo trabalho dos outros - orgulho

4. De acordo com o texto, coloca à frente de cada nome o adjectivo adequado:
O gato_____________________
O rato_____________________

5. "- Precisam de mim? Quem assim perguntou foi o rato..."
5.1. Nesta trancrição do texto, identifica:
a fala do narrador _____________________
a fala da personagem ___________________
5.2. Diz, também, qual o recurso de estilo utilizado na trancrição do ponto 6.

6. Quando o rato apareceu...
A avó e a neta sentiram __________________
A cachorra sentiu ______________________

7. Explica o significado das seguintes expressões deste texto:
"... o NABO nem sim nem sopas" (linha 11)
"... o gato assomou à porta..." (linha 14)
"... tão enfezado animal..." (linha 19)

8. Classifica o tipo de cada uma destas frases:
"arranco este nabo num instante!"
"Plantou muitos nabos."
"Ó mulher, dá-me aqui uma ajuda!"
"Vai uma ajuda?"

9. "E o rato puxou."
9.1. Identifica o tempo, o modo, a pessoa e o número da forma verbal, na frase acima transcrita.
9.2. Cria uma área vocabular de quatro palavras, à volta do vocábulo seguinte: "rato"

10. Identifica as funções sintácticas desempenhadas pelas palavras, da seguinte frase: O avô Eugénio plantou nabos.

11. Explica a razão porque o segundo parágrafo do texto termina com dois pontos e se usa o travessão para o início do parágrafo seguinte.

12. Esta narrativa procura dar-nos uma lição. Transcreve a frase que resume a moral da história.


II

1. Recorda as regras do diálogo para escreveres um pequeno texto.
Imagina a conversa que poderia ter acontecido entre os avós e a neta, enquanto, à noite e sentados à mesa, comiam sopa de nabo.