10.9.08

Chaves na mão, melena desgrenhada,




Chaves na mão, melena desgrenhada,
batendo o pé na casa, a mãe ordena
que o furtado co/t hão, fofo e depena,
a filha o ponha ali ou a criada.

Afilha, moça esbelta e aperaltada,
lhe cli: co'a doce vá: que o ar serena:
- "Sumiu-se-lhe um colchão, é fone pena!
Olhe não fique a casa arruinada..."

- "Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que por ler pai embaiTuilo,
já a mãe não tem mãos?" E. dizendo isio,

arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
sai-lhe o colchão de dentro do toucado.

Nicolau Tolentino


Tendo em conta os níveis tónico, morfossíntáctico e semântico, redija um comen¬tário global ao soneto transcrito, pondo em destaque os seguintes aspectos:
• Estrutura lógica do discurso.
• Caracterização das personagens.
• Expressividade da linguagem e dos recursos estilísticos.
• Sátira social.


Num breve apontamento, não excedendo o limite de 10 linhas, refira-se aos pro¬cessos utili-zados por Nicolau Tolentino para satirizar a sociedade do seu tempo.


III
Com base nos textos estudados deste mestre da sátira, desenvolva as ideias con¬tidas na sua afirmação:
"Não me acovarda o nome de sátira, só odioso ao vulgo ignorante: Vossa Excelên¬cia sabe que. quando ela fere nos costumes, sem assinalar os homens, é a espécie de poesia em que mais vezes se dão as mãos os seus dois fins: a utilidade e o recreio."
Nicolau Tolentino