29.9.08

Ai dona fea! Fostes-vos queixar



Ai dona fea! Fostes-vos queixar
Porque vos nunca louv' en meu trobar
Mais ora quero fazer un cantar
En que vos loarei toda via;
E vedes como vos quero loar:
Dona fea, velha e sandia!

Dona fea! Se Deus me pardon!
E pois avedes tan gran coraçon
Que vos eu loe, en esta razon,
Vos quero ja loar toda via;
E vedes qual será a loaçon:
Dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei
En meu trobar, pero muito trobei;
Mais ora ja un bon cantar farei
En que vos loarei toda via;
E direi-vos como vos loarei:
Dona fea, velha e sandia!

João Garcia de Guilhade


I

Analise o texto transcrito, desenvolvendo os seguintes tópicos:
• Intenção do autor.
• Caracterização da mulher.
• Significado e função do último verso de cada estrofe.
• Estrutura formal.


II

De forma sucinta, não excedendo o limite de 10 linhas, recorde alguns textos da sátira trovadoresca e refira-se aos temas aí tratados


III

Tendo como base as leituras que fez da poesia satírica trovadoresca, comente a seguinte afirmação:
"Os trovadores encarregaram-se de fazer a reportagem dos acontecimentos mais ou menos escandalosos da época. É precisamente este critério, de um lado o facto polí¬tico, literário ou social, de outro a crítica mordaz incidindo sobre ele, que nos vai servir de norma para uma sistematização, de outro modo difícil, do escárnio do século XIII."

Rodrigues Lapa, Lições de Literatura Portuguesa, Época Medieval