29.8.08

O Camaleão e o Elefante


Sunset with Elephants Art Print by Leon Wells

Havia anos que não chovia na região de Gabú: os animais nada tinham nem para comer, pois as ervas estavam secas, nem para beber, também secos estavam os riachos.
O elefante convocou uma reunião de todos os animais da floresta para lhes expor a situação grave, e para cada um sugerir uma solução para resolver o problema. A perdiz pediu a palavra para dizer que a única solução era tentar fazer um furo ou uma cova na terra, dura como uma pedra, até encontrar uma fonte. Que não precisavam de auxílio dos homens. Os animais olharam confiantes para o elefante, que podia, só com uma patada, abrir uma fonte.
Ficaram todos à espera da decisão do elefante; só o camaleão que num canto, muito discreto, de súbito deu uma gargalhada. Todos os animais olharam para ele, furibundos; disseram-lhe:
— Estamos a tratar de um problema muito grave, e estás tu a rir.
O elefante, que tinha começado a cavar, parou, ameaçando o camaleão que, se continuasse a fazer pouco dele, o esmagaria com uma só patada. Os outros animais desatam também a rir: a galinha do mato, a ganga, ate o macaco. Apesar da sua força, o elefante, a suar, disse aos outros animais:
— Vou descansar um pouco, para recuperar forças.
Levantou-se então o camaleão do lugar onde estava, e, com o seu andar lento e cauteloso, aproximou-se dos outros animais, e disse-lhes:
— Não é a força que nos vai valer; é o jeito. O elefante não se conteve, deitou-lhe um olhar, como quem diz:
— Hás-de saber quem eu sou; havemos de ajustar contas.
Porém, o camaleão não se atrapalhou, pois estava seguro da vitória, a Começou a cantar, olhando para o elefante com o rabo do olho, e esgaravalando calmamente o solo.
Os animais a rirem-se todos. Mas, de súbito, ficaram espantados, quando viram um fiozinho de água a correr do buraco que fizera o camaleão. Fiozinho de água que se transformou em riacho. O camaleão. satisfeito, olhou para os outros animais, bebeu água, e disse-lhes:
— Venham beber água também; não tenham medo.
Com o mesmo andar lento, o camaleão, satisfeitíssimo, voltou para casa.


Benjamin Pinto Brull, O Crioulo da Guiné-Bissau: Filosofia e Sabedoria


I

1. Neste conto popular guineense delimita:
• introdução;
• desenvolvimento;
• conclusão; ''

e, numa frase curta, sintetiza o conteúdo da introdução e da conclusão.

2. Considera as personagens intervenientes.
2.1. Agrupa-as de acordo com o papel que desempenham.
2.2. Analisa o comportamento e atitudes das personagens secundárias, em particular da perdiz.
2.3. Observa a evolução do comportamento do elefante. Explica-a.

3. Compara as duas personagens principais. Explica a oposição entre elas relacionando-a com a conclusão moral do conto.

4. Qual dos provérbios melhor corresponde à moral desta história?
Nem sempre a razão do mais forte é a melhor.
Pequeno machado derruba grande sobreiro.
A razão do mais forte é sempre a melhor.