16.7.08

Lamento



Pátria sem rumo, minha voz parada
Diante do futuro!
Em que rosa-dos-ventos há um caminho
Português?
Um brumoso caminho
De inédita aventura,
Que o poeta, adivinho,
Veja com nitidez
Da gávea da loucura?

Ah, Camões, que não sou, afortunado!
Também desiludido
Mas ainda lembrado da epopeia!
Ah, meu povo traído,
Mansa colmeia
A que ninguém colhe o mel!...
Ah, meu pobre corcel
Impaciente,
Alado
E condenado
A choutar nesta praia do Ocidente...

Miguel Torga, Diário XII, Ed. do Autor


I

1. Determine o tema/assunto do poema.

2. Identifique o tipo de frase que domina o texto e refira-se ao seu valor expressivo na transmissão da mensagem.

3. Em cada estrofe há um conceito de poeta.
3.1. Diga em que se afastam e/ou se aproximam esses conceitos.

4. Explicite os símbolos presentes nos versos iniciados pela interjeição "Ah".

5. Apresente uma explicação semântica para os versos livres.

6. Justifique o título "Lamento".


II

Num texto bem organizado de sessenta a cem palavras, comente esta citação, socorrendo-se de leituras sobre Miguel Torga, leituras da obra poética ou outras.
«Escritor situado no concreto, ligado ao húmus natural, dir-se-á que pela via do casticismo atinge a universalidade.»

Jacinto do Prado Coelho, Ao Contrário de Penélope