10.6.08

Vivem em nós inúmeros


Vivem em nós inúmeros,
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos,
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu escrevo.

Ricardo Reis, Odes


I

Depois de uma leitura atenta, elabore um comentário global do poema de modo que integre o tratamento dos seguintes tópicos:
- a multiplicidade de naturezas;
- as particularidades relevantes do plano formal;
- o paganismo ou a atitude nesciente em relação ao mundo;
- o enquadramento do poema na criação poética de Fernando Pessoa.


II

Redija um texto bem estruturado, de setenta a cem palavras, comentando a citação a seguir transcrita com base em leituras dos poetas de Orpheu e do contexto literário em que ele surge.
«O Orpheu marcará essa nova era no panorama literário do século XX: ele será a pedrada no charco, nos «pauis» da nossa estagnação, o dinamismo, a viagem (para fora e para o futuro), o grito.»