4.6.08

Proençaes soen mui ben trobar




Proençaes soen mui ben trobar
e dizen eles que é con amor;
mais os que troban no tempo da frol
e non en outro, sei eu ben que non
an tan gran coita no seu coraçon
qual m'eu por mha senhor vejo levar.

Pero que troban e saben loar
sas senhores o mais e o melhor
que eles poden, soõ sabedor
que os que troban quand'a frol sazon
á, e non ante, se Deus mi perdon,
non an tal coita qual eu ei sen par.

Ca os que troban e que s'alegrar
van eno tempo que ten a color
a frol consigu', e, tanto que se for
aquel tempo, logu'en trobar razon
non an, non viven (en) qual perdiçon
oj'eu vivo, que pois m'á-de matar.


El-Rei D. Dinis


I

1. Identifique o tipo de composição feita pelos provençais.

2. Refira o significado da relação entre a expressão do amor e a natureza primaveril.

3. Em que momento é que os provençais fazem os seus cantares de amor?

3. Que argumento é que o poeta utiliza para afirmar a superioridade dos trovadores galaico-portugueses?

4. Explique até que ponto esta cantiga de D. Dinis sofreu a influência da poesia provençal.


II

Numa composição cuidada, comente a seguinte afirmação de António José Saraiva e Óscar Lopes:

«Elaboraram os provençais o ideal do amor cortês, muito diferente do idílio rudimentar nas margens dos rios ou à beira das fontes que os cantares de amigo nos deixaram entrever. Não se trata agora de uma experiência sentimental a dois, mas de uma aspiração, sem correspondência, a um objecto inatingível.»