3.6.08

Este inferno de amar

Este inferno de amar – como eu amo! –
Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida – e que a vida destrói –
Como é que se veio a atear,
Quando – ai quando se há-de ela apagar?

Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... – foi um sonho –
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei... dava o sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? – Não no sei;
Mas nessa hora a viver comecei...

Almeida Garrett, Folhas Caídas, 1853



I

1. Explicite o assunto do poema.

2. Diga o que entende por «inferno de amar».

3. Comente a evolução temporal no poema: passado, presente e futuro.

4. Identifique dois recursos de estilo presentes no poema e justifique o seu emprego pelo poeta.

5. Analise o poema quanto à sua estrutura externa.

6. Explique a formação das seguintes palavras: ardentes, amante e apaixonadamente.

7. Dê respectivamente um sinónimo de despertar e de serena, e um antónimo de amar e de apagar.

8. Classifique as seguintes orações:

– «E os meus olhos...»

– «Só me lembra que um dia formoso / Eu passei...»

– «Mas nessa hora a viver comecei.»

9. Construa uma frase sintacticamente correcta utilizando as mesmas conjunções das orações anteriores.


II

Num máximo de 15 linhas, relacione aquilo que Almeida Garrett pensava sobre o amor e aquilo que outros poetas que estudou nas aulas pensavam.