14.5.08

Como quando do mar tempestuoso




Como quando do mar tempestuoso
o marinheiro, lasso e trabalhado(1),
d’um naufrágio cruel já salvo a nado,
só ouvir falar nele o faz medroso;

e jura que em que(2) veja bonançoso
o violento mar, e sossegado
não entre nele mais, mas vai forçado
pelo muito interesse cobiçoso;

assi, Senhora, eu, que da tormenta
de vossa vista fujo, por(3) salvar-me,
jurando de não mais em outra ver-me;

minh’alma que de vós nunca se ausenta,
dá-me por preço ver-vos, faz tornar-me
donde fugi tão perto de perder-me.

Luís de Camões



(1) trabalhado: cansado dos trabalhos pesados
(2) em que: ainda que
(3) por: para



I

1. Neste texto estabelece-se uma relação de semelhança entre duas situações.
1.1. Delimite as duas partes lógicas do texto.
1.2. Indique e classifique morfologicamente os conectores que estabelecem a relação indicada.
1.3. Sintetize a contradição patente no comportamento do marinheiro.
1.4. Transcreva os segmentos textuais da segunda parte que correspondem aos seguintes elementos da primeira:
1.4.1. marinheiro lasso e trabalhado (v.2);
1.4.2. mar tempestuoso (v.1);
1.4.3. jura que […] não entre nele mais (vs. 5 a 7);
1.4.4. mas vai, forçado/pelo muito interesse (vs. 7 e 8);
1.5. Classifique a figura de estilo presente na expressão tormenta da vossa vista (vs. 9 e 10) e comente a sua expressividade.

2. A fraqueza confessada pelo sujeito poético é também uma forma de reforçar a confissão do amor.
2.1. Explique porquê.
2.2. Identifique o destinatário da confissão.

3. Faça a análise formal do soneto, indicando:
3.1. a estrutura externa do texto;
3.2. a divisão das sílabas métricas do 1º verso;
3.3. o esquema rimático.

4. Justifique a integração do texto na corrente renascentista da poesia camoniana.

5. Este poema dá-nos uma visão tipicamente camoniana do amor.
A partir de leituras anteriores elabore um texto argumentativo de 150 a 200 palavras, subordinado ao tema A vivência do amor nos sonetos de Camões.